Capítulo 26
Assim que Agamenon e Joaquim chegam na casa de Vicente vão logo para o quarto dele. O físico deitado na cama lendo um jornal se volta ao ouvir o ruído dos passos na porta, ao ver o amigo com ar preocupado é o médico carregando a maleta, sorri com ar debochado.
- Estou ótimo! O doutor não tem licença pra clinicar.
- Sei, mas Agamenon vai verificar primeiro.
- Deixe comigo Joaquim, esse homem é duro na queda! – Agamenon retira da maleta o tensiometro e o estetoscópio sentando lado do enfermo.
Depois de verificar a pressão e oscultar Vicente, o médico sorri chamando Joaquim para perto da cama com um aceno de mão.
- Vicente! Nós decidimos que vamos ajudá-lo, se ficar trabalhando da maneira como está, vai morrer como um passarinho.
- Não posso morrer antes de ter certeza de que minha teoria...
- Vai ter certeza, mas para isso, precisa se cuidar. – Interrompe Joaquim – Se estiver bem, podemos marcar para amanhã, iremos até o local, onde juntos, faremos as medições de ângulo.
- Por mim, tudo bem... Sinto-me recuperado. Lucia não me deixa fumar mais do que uns dois ou três cigarros e dormir muito. – Vicente fala com excitação.
- O perigo não é isso, o maior problema é essa sua excitação. – O médico fala enquanto guarda suas coisas na maleta.
A empregada entra trazendo uma jarra de suco de manga e três copos. Coloca sobre uma mesa ao lado da cama saindo arrastando os chinelos com o rosto contrariado. Quando chega na porta se volta.
- Doutor, não deixe ele sair da cama!
- Fique tranqüila, só levanta amanhã!
A velha acena se despedindo saindo do quarto. Joaquim levanta e vai servir o suco, enquanto enche os copos, pergunta para Vicente.
- Você acha mesmo que vamos conseguir?
- Não tenho mais duvidas! Minha preocupação está apenas relacionada com a maneira que farei a divulgação do caso. Vai ser complicado, nem sei se valerá a pena. É a teoria da minha vida!
- Os cálculos estão todos prontos?
- Fiz uma planilha e também todas as verificações simuladas. O computador tem uma boa memória, sem ele não sou nada.
Agamenon fica com ar pensativo ouvindo o que os amigos comentam e quando Vicente fala em computador, ele sorri malicioso e fala por entre os dentes.
- No meu tempo, nem imaginava a existência do computador.
- O que...? – pergunta Vicente que não havia entendido.
- Hoje em dia, o computador é peça fundamental em quase tudo. Onde chego, ele se faz presente, acho que nem pra varrer a rua ele é dispensado. O que estava pensando aqui comigo, é que no meu tempo, vivia-se muito bem sem nada disso. Pelo menos parecia que ia tudo bem!
- Vá esquecendo de tudo isso, meu caro! – disse Joaquim com ar de desdém. – Quando voltar pra casa, não terá computador e ainda por cima, nem deve comentar sobre ele.
- Vai ter que viver como se não fosse possível ter visto o amanhã! – Completou Vicente tossindo.
- Não esqueça! Amanhã voltamos e juntos, iremos até o local das medições, se estiver se sentindo bem. Não faça esforços desnecessários, atenda a ordem médica de ficar quieto ai na cama! – Exclamou Joaquim com uma acentuação exagerada na voz.
Já na estrada, de volta para a cidade. Joaquim perguntou para Agamenon que parecia triste.
- Desanimou?
- Não é isso. Tenho pensado muito em Heloisa...
- Vai ser uma perda violenta. Mas se quer mesmo retomar sua vida, essa é a sua oportunidade de tentar. Só seu coração saberá o que deve fazer, não conte com a cabeça.
- Tenho perdido tanto nos últimos dias que me sinto como quem volta derrotado de uma guerra.
- Por falar em guerra, hoje pego a sentença com aquele idiota do Carmelo!
- Já nem sei se vai valer a pena!
- De qualquer maneira, pra mim é uma batalha e quero sair vitorioso.
Quando chegaram na frente do hotel, uma chuva forte começa a cair e o médico se despede do advogado que segura sua mão.
- Está tremendo? – Pergunta Joaquim com tom irônico.
- Deve ser fome! – responde o médico com insegurança na voz.
- Já é quase meio dia, vamos almoçar?
- Pode ser!
Joaquim dá partida novamente no carro e avança com cuidado pelas ruas cheias de água e pessoas atravessando de um lado para o outro tentando se abrigar. O rosto de Agamenon permanece contraído olhando a chuva cair, suas mãos apertam as pernas, que tremem a cada relâmpago e trovão.
Ao entrar no hotel, olha a portaria sem esperança de encontrar o rosto sorridente de Heloisa. O porteiro lhe dá a chave do quarto bem na hora que Fausto sai do seu apartamento.
- Um minutinho, Doutor! – Pede Fausto se apressando.
- Claro! – Agamenon sorri desanimado.
- Podemos sentar um pouco? – Ele segura o braço do médico que consente com um gesto de cabeça. – Precisamos conversar seriamente.
- O senhor me assusta! – Agamenon olha em volta. - Alguma coisa com Heloisa?
- Pode ser! – Fausto respira fundo. – Peço que perdoe esse pai angustiado...
- Não precisa pedir desculpas!
- Sou muito discreto, mas não agüentei... – Fausto se aproxima do médico. – Confia nesse tal de Vicente?
- É a única pessoa que me oferece uma oportunidade de consertar minha vida!
- E se piorar?
- O que quer dizer?
- Se você morrer nessa tentativa, se não voltar para seu tempo e sim cair em outro, coisas assim!
- Preciso correr o risco! – Disse Agamenon pensativo.
- Você é um egoísta! – Fausto levanta e vai para a portaria.
Agamenon sabe que Fausto está coberto de razão. Suspira sentindo que as palavras lhe cortaram o coração. De cabeça baixa, vai para seu quarto.
Assim que Agamenon e Joaquim chegam na casa de Vicente vão logo para o quarto dele. O físico deitado na cama lendo um jornal se volta ao ouvir o ruído dos passos na porta, ao ver o amigo com ar preocupado é o médico carregando a maleta, sorri com ar debochado.
- Estou ótimo! O doutor não tem licença pra clinicar.
- Sei, mas Agamenon vai verificar primeiro.
- Deixe comigo Joaquim, esse homem é duro na queda! – Agamenon retira da maleta o tensiometro e o estetoscópio sentando lado do enfermo.
Depois de verificar a pressão e oscultar Vicente, o médico sorri chamando Joaquim para perto da cama com um aceno de mão.
- Vicente! Nós decidimos que vamos ajudá-lo, se ficar trabalhando da maneira como está, vai morrer como um passarinho.
- Não posso morrer antes de ter certeza de que minha teoria...
- Vai ter certeza, mas para isso, precisa se cuidar. – Interrompe Joaquim – Se estiver bem, podemos marcar para amanhã, iremos até o local, onde juntos, faremos as medições de ângulo.
- Por mim, tudo bem... Sinto-me recuperado. Lucia não me deixa fumar mais do que uns dois ou três cigarros e dormir muito. – Vicente fala com excitação.
- O perigo não é isso, o maior problema é essa sua excitação. – O médico fala enquanto guarda suas coisas na maleta.
A empregada entra trazendo uma jarra de suco de manga e três copos. Coloca sobre uma mesa ao lado da cama saindo arrastando os chinelos com o rosto contrariado. Quando chega na porta se volta.
- Doutor, não deixe ele sair da cama!
- Fique tranqüila, só levanta amanhã!
A velha acena se despedindo saindo do quarto. Joaquim levanta e vai servir o suco, enquanto enche os copos, pergunta para Vicente.
- Você acha mesmo que vamos conseguir?
- Não tenho mais duvidas! Minha preocupação está apenas relacionada com a maneira que farei a divulgação do caso. Vai ser complicado, nem sei se valerá a pena. É a teoria da minha vida!
- Os cálculos estão todos prontos?
- Fiz uma planilha e também todas as verificações simuladas. O computador tem uma boa memória, sem ele não sou nada.
Agamenon fica com ar pensativo ouvindo o que os amigos comentam e quando Vicente fala em computador, ele sorri malicioso e fala por entre os dentes.
- No meu tempo, nem imaginava a existência do computador.
- O que...? – pergunta Vicente que não havia entendido.
- Hoje em dia, o computador é peça fundamental em quase tudo. Onde chego, ele se faz presente, acho que nem pra varrer a rua ele é dispensado. O que estava pensando aqui comigo, é que no meu tempo, vivia-se muito bem sem nada disso. Pelo menos parecia que ia tudo bem!
- Vá esquecendo de tudo isso, meu caro! – disse Joaquim com ar de desdém. – Quando voltar pra casa, não terá computador e ainda por cima, nem deve comentar sobre ele.
- Vai ter que viver como se não fosse possível ter visto o amanhã! – Completou Vicente tossindo.
- Não esqueça! Amanhã voltamos e juntos, iremos até o local das medições, se estiver se sentindo bem. Não faça esforços desnecessários, atenda a ordem médica de ficar quieto ai na cama! – Exclamou Joaquim com uma acentuação exagerada na voz.
Já na estrada, de volta para a cidade. Joaquim perguntou para Agamenon que parecia triste.
- Desanimou?
- Não é isso. Tenho pensado muito em Heloisa...
- Vai ser uma perda violenta. Mas se quer mesmo retomar sua vida, essa é a sua oportunidade de tentar. Só seu coração saberá o que deve fazer, não conte com a cabeça.
- Tenho perdido tanto nos últimos dias que me sinto como quem volta derrotado de uma guerra.
- Por falar em guerra, hoje pego a sentença com aquele idiota do Carmelo!
- Já nem sei se vai valer a pena!
- De qualquer maneira, pra mim é uma batalha e quero sair vitorioso.
Quando chegaram na frente do hotel, uma chuva forte começa a cair e o médico se despede do advogado que segura sua mão.
- Está tremendo? – Pergunta Joaquim com tom irônico.
- Deve ser fome! – responde o médico com insegurança na voz.
- Já é quase meio dia, vamos almoçar?
- Pode ser!
Joaquim dá partida novamente no carro e avança com cuidado pelas ruas cheias de água e pessoas atravessando de um lado para o outro tentando se abrigar. O rosto de Agamenon permanece contraído olhando a chuva cair, suas mãos apertam as pernas, que tremem a cada relâmpago e trovão.
Ao entrar no hotel, olha a portaria sem esperança de encontrar o rosto sorridente de Heloisa. O porteiro lhe dá a chave do quarto bem na hora que Fausto sai do seu apartamento.
- Um minutinho, Doutor! – Pede Fausto se apressando.
- Claro! – Agamenon sorri desanimado.
- Podemos sentar um pouco? – Ele segura o braço do médico que consente com um gesto de cabeça. – Precisamos conversar seriamente.
- O senhor me assusta! – Agamenon olha em volta. - Alguma coisa com Heloisa?
- Pode ser! – Fausto respira fundo. – Peço que perdoe esse pai angustiado...
- Não precisa pedir desculpas!
- Sou muito discreto, mas não agüentei... – Fausto se aproxima do médico. – Confia nesse tal de Vicente?
- É a única pessoa que me oferece uma oportunidade de consertar minha vida!
- E se piorar?
- O que quer dizer?
- Se você morrer nessa tentativa, se não voltar para seu tempo e sim cair em outro, coisas assim!
- Preciso correr o risco! – Disse Agamenon pensativo.
- Você é um egoísta! – Fausto levanta e vai para a portaria.
Agamenon sabe que Fausto está coberto de razão. Suspira sentindo que as palavras lhe cortaram o coração. De cabeça baixa, vai para seu quarto.
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