sexta-feira, 25 de julho de 2008

Capítulo 25

Capítulo 25

Heloisa salta do táxi, em frente do prédio onde Norma morava. Um edifício alto com vinte andares, numa rua um pouco distante do centro, cheia de outros prédios altos e de movimento pequeno. A moça Olha para o alto do prédio, suspira melancólica, se encaminha até a portaria passando pelo portão com decisão e acenando para o porteiro que já a conhecia.
Depois que Norma fechou a porta, as duas se abraçaram em silencio por algum tempo. Heloisa olhou por cima do ombro da amiga a sala daquele apartamento decorado com luxo e cheio de vasos de plantas pendurados nas paredes e nos cantos. As duas sentaram num grande sofá forrado de couro, Norma colocou a mão sobre as da amiga que pareciam se contorcer uma dentro da outra.
- Tenha alma! – Norma falou em voz baixa e suave. – Você tem toda razão, e seu coração não pode ficar sofrendo.
- Não é só o coração, minha alma está sofrendo!
- Segura o homem pelo braço, olha fundo no olho e cobra!
- Cobrar? Não tenho nada pra cobrar, me dei pelo impulso do amor que nem mesmo eu sabia que era tão grande. Não tenho nada pra cobrar dele, ele nada me prometeu, apenas me deixou ama-lo, me deu muito afeto, carinho e... quem sabe, até amor!
- Você o conhece tem pouco tempo!
- Isso não é engraçado! Parece que o conheço desde que me entendo por gente! - ela funga. - Tem horas, que não acredito ter vivido sem ele!
- Isso é paixão!
- Não tenho a menor duvida! Preciso encontrar forças dentro de mim para sobreviver a sua falta.
- Vai conseguir! Você é forte, inteligente, já viveu experiências, bem mais trágicas.
- No entanto, estou no meu limite! A paixão que sinto por ele é muito forte. Nunca amei antes! Descobrir isso quando me apaixonei por um quase desconhecido que se diz Agamenon, o que senti das outras vezes, não se compara ao que sinto agora.
- Você amava seu marido?
A pergunta fez com que Heloisa ficasse pensativa. Ela levantou-se, caminhou de um lado para o outro, passou a mão nas folhas de uma planta e se voltou para a amiga repentinamente.
- Naquela época era... diferente! Eu muito jovem, sem experiência acreditava que era amor o que sentia. Não posso negar que gostava muito de Bruno, mas só agora posso dizer que sinto amor. Amadureci com a vida, aprendi e me fechar e escolher os meus caminhos, mas Agamenon me seduziu desde a primeira vez que meus olhos caíram sobre ele. Foi como uma doença que se pega no ar. Fiquei doente no primeiro contato. Vou sobreviver, mas não sei se as seqüelas vão me inutilizar para o resto da vida.
- Você fez o alfabeto ao contrário. As letras se sucederam inversamente. Seu coração também. Primeiro gostou da letra B e agora amou a letra A!
- Norma! O que vou fazer da vida sem Agamenon?
- O mesmo que fazia antes de conhecê-lo!
- Não será a mesma coisa!
- Então vá lá, tenta segurar o homem.
- Será impossível! O que me resta, é ficar longe!
- Tem medo de fraquejar?
- Muito medo! Sei que não vou resistir, sinto desejos ardentes de suas caricias, sua boca e sonho com suas palavras delicadas ao meu ouvido, assim que me deparar com esse homem, vou ceder. Me entrego aos seus encantos. Se tenho de sofrer, prefiro começar logo e só volto pra casa depois dele partir.
Norma deu de ombros tentando sorrir para a amiga. Heloisa voltou para o sofá, sentou-se lentamente e deitou a cabeça no colo da amiga que acariciou seus cabelos com ar de duvida e apreensão.

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