Capítulo 24
Assim que amanhece, Heloisa arruma algumas roupas numa pequena maleta e vai para cozinha onde seu pai está bebendo café. Os dois se olham com carinho, ela acaricia a cabeça dele sentando ao lado.
- Então posso mesmo?
- Vai querida! Fica uma semana, talvez as coisas se resolvam até lá.
- E a portaria?
- Eu resolvo isso! Se houver algum problema..., ligo. Diga para Norma que mandei um beijo.
Antes das sete horas, Heloisa saiu do hotel fazendo sinal para um táxi que passava. Antes de entrar no carro, dá uma olhada para a fachada do prédio, suspira melancólica, joga a maleta no assento dá outro suspiro diz para o motorista que espera a passageira se acomodar.
- Rua Victor de Pádua!
O carro parte bem na hora que Agamenon chega apressado na porta do hotel. Vendo que ela foi embora, entra, vai até o balcão onde Fausto, de cara fechada o encara.
- Bom dia! Heloisa...?
- Deixa a menina em paz!
O médico abaixa os olhos e caminha inseguro até uma das poltronas, se deixa desabar, coloca a mão sobre os olhos apoiando o cotovelo no joelho. Do balcão Fausto observa a desolação do outro durante um bom tempo. Dando um suspiro resignado, dá a volta sentando-se ao lado de Agamenon.
- Me entenda...! Sou pai! Minha filha está sofrendo muito, mas você tomou uma decisão que lhe pareceu justa. Não pretendo interferir, ela é adulta e deve se cuidar. Só quero dizer, que estou tentando me manter neutro e antes de qualquer coisa, não esqueça, gosto muito de Heloisa. Não posso permitir que seja mais uma vez massacrada pela vida. Talvez seja mais fácil pra vocês dois, o afastamento.
- Não sei se vou conseguir sobreviver, mas sei que tenho de consertar o que ficou pra traz!
- Imagino que a duvida esteja corroendo seus pensamentos.
- Pode apostar nisso!
- Não entendi muito bem tudo que ela me contou sobre você. A história é muito estranha, no entanto, sou um homem simples, mas não sou burro. Sei que viver num mundo sem qualquer referencia, se torna angustiante.
- Aqui não sou nada!
- Antes, era um médico respeitado, se ocupava e vivia uma vida que parecia ajustada, não é assim?
- Pelo menos pensava que sim!
- Só seu coração será capaz de dizer se agüenta a dor ou a alegria! Decidir, não coisa fácil.
Nesse momento, entra Joaquim, apressado, com uma expressão de curiosidade ao ver os dois conversando. Agamenon havia combinado que iria com o advogado até a casa de Vicente naquela manhã, haviam decidido ajudar já que sozinho, seria impossível para o físico fazer tudo que era necessário. Fazendo um gracejo, o advogado estende a mão para Fausto.
- Marcou consulta?
- Como vai Joaquim? – O dono do hotel estende a mão para o outro com expressão constrangida.
- Eu estou uma maravilha. Mas tenho que entrar no consultório, marquei minha consulta primeiro. Vamos indo Agamenon?
- Leve a vida mais seriamente Joaquim. A pobre da Clara deve penar com você! – disse Fausto mais descontraído.
O médico levanta lentamente e sai junto com Joaquim que da porta acena para Fausto ainda sentado na poltrona com um jornal na mão que havia pegado na mesa ao lado. Já no carro, Agamenon se volta para Joaquim que dá partida.
- Vocês dois ...! Parece que Fausto não gosta muito de você!
- Gosta! Ele tem magoa. Quando a mulher dele, minha irmã ficou doente, eu estava viajando e mandei uma carta dizendo que naquele momento não poderia voltar. Ele ficou com essa coisa na cabeça, acha que não me preocupei com ela.
- Cada um sabe seus motivos...
- Sabe como ele conheceu minha irmã?
- Não!
- Ele e o tio gerenciavam o hotel. Naquela época, eu era bem jovem, meu escritório bem pertinho. Sempre que podia almoçava no restaurante deles, a comida era muito boa. Um dia trouxe meu pai minha mãe e minha irmã para um almoço. Os dois se olharam e pronto! Amor a primeira vista.
Joaquim parecia lembrar com saudade o momento, sorriu para si mesmo e fico em silencio durante o restante do caminho. Os pensamentos do médico se perderam junto com seu olhar, no horizonte.
Assim que amanhece, Heloisa arruma algumas roupas numa pequena maleta e vai para cozinha onde seu pai está bebendo café. Os dois se olham com carinho, ela acaricia a cabeça dele sentando ao lado.
- Então posso mesmo?
- Vai querida! Fica uma semana, talvez as coisas se resolvam até lá.
- E a portaria?
- Eu resolvo isso! Se houver algum problema..., ligo. Diga para Norma que mandei um beijo.
Antes das sete horas, Heloisa saiu do hotel fazendo sinal para um táxi que passava. Antes de entrar no carro, dá uma olhada para a fachada do prédio, suspira melancólica, joga a maleta no assento dá outro suspiro diz para o motorista que espera a passageira se acomodar.
- Rua Victor de Pádua!
O carro parte bem na hora que Agamenon chega apressado na porta do hotel. Vendo que ela foi embora, entra, vai até o balcão onde Fausto, de cara fechada o encara.
- Bom dia! Heloisa...?
- Deixa a menina em paz!
O médico abaixa os olhos e caminha inseguro até uma das poltronas, se deixa desabar, coloca a mão sobre os olhos apoiando o cotovelo no joelho. Do balcão Fausto observa a desolação do outro durante um bom tempo. Dando um suspiro resignado, dá a volta sentando-se ao lado de Agamenon.
- Me entenda...! Sou pai! Minha filha está sofrendo muito, mas você tomou uma decisão que lhe pareceu justa. Não pretendo interferir, ela é adulta e deve se cuidar. Só quero dizer, que estou tentando me manter neutro e antes de qualquer coisa, não esqueça, gosto muito de Heloisa. Não posso permitir que seja mais uma vez massacrada pela vida. Talvez seja mais fácil pra vocês dois, o afastamento.
- Não sei se vou conseguir sobreviver, mas sei que tenho de consertar o que ficou pra traz!
- Imagino que a duvida esteja corroendo seus pensamentos.
- Pode apostar nisso!
- Não entendi muito bem tudo que ela me contou sobre você. A história é muito estranha, no entanto, sou um homem simples, mas não sou burro. Sei que viver num mundo sem qualquer referencia, se torna angustiante.
- Aqui não sou nada!
- Antes, era um médico respeitado, se ocupava e vivia uma vida que parecia ajustada, não é assim?
- Pelo menos pensava que sim!
- Só seu coração será capaz de dizer se agüenta a dor ou a alegria! Decidir, não coisa fácil.
Nesse momento, entra Joaquim, apressado, com uma expressão de curiosidade ao ver os dois conversando. Agamenon havia combinado que iria com o advogado até a casa de Vicente naquela manhã, haviam decidido ajudar já que sozinho, seria impossível para o físico fazer tudo que era necessário. Fazendo um gracejo, o advogado estende a mão para Fausto.
- Marcou consulta?
- Como vai Joaquim? – O dono do hotel estende a mão para o outro com expressão constrangida.
- Eu estou uma maravilha. Mas tenho que entrar no consultório, marquei minha consulta primeiro. Vamos indo Agamenon?
- Leve a vida mais seriamente Joaquim. A pobre da Clara deve penar com você! – disse Fausto mais descontraído.
O médico levanta lentamente e sai junto com Joaquim que da porta acena para Fausto ainda sentado na poltrona com um jornal na mão que havia pegado na mesa ao lado. Já no carro, Agamenon se volta para Joaquim que dá partida.
- Vocês dois ...! Parece que Fausto não gosta muito de você!
- Gosta! Ele tem magoa. Quando a mulher dele, minha irmã ficou doente, eu estava viajando e mandei uma carta dizendo que naquele momento não poderia voltar. Ele ficou com essa coisa na cabeça, acha que não me preocupei com ela.
- Cada um sabe seus motivos...
- Sabe como ele conheceu minha irmã?
- Não!
- Ele e o tio gerenciavam o hotel. Naquela época, eu era bem jovem, meu escritório bem pertinho. Sempre que podia almoçava no restaurante deles, a comida era muito boa. Um dia trouxe meu pai minha mãe e minha irmã para um almoço. Os dois se olharam e pronto! Amor a primeira vista.
Joaquim parecia lembrar com saudade o momento, sorriu para si mesmo e fico em silencio durante o restante do caminho. Os pensamentos do médico se perderam junto com seu olhar, no horizonte.
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