quarta-feira, 23 de julho de 2008

Capítulo 23

Capítulo 23

Chegando no quarto, Agamenon, pega sua maleta de mão, retira o estetoscópio, e o tensiometro. Joga sobre a cama, senta ao lado e fica olhando com o pensamento distante. Seus sonhos e lembranças reais começam a se confundir.
“Ela tem razão, não tenho certeza que poderei fazer algo pra ser feliz. Se voltar, pra casa, não vou mais viver como antes depois de tudo que já sei, depois da traição de Dora, de Arquimedes. Minha profissão está realmente ameaçada, não estarei satisfeito com os equipamentos nem com os procedimentos, talvez, retornar seja minha ruína, mas por outro lado, aqui, me sinto vazio, sem uma direção”.
Sentindo muito cansaço, deita na cama de bruços, deixa as lágrimas rolarem livres pela face. Dando um pulo repentino, pega na maleta um frasco, abre, retira um comprimido, fica com ele na mão por algum tempo olhando para o teto e o engole.
Depois de dormir horas seguidas sob o efeito do remédio, Agamenon acorda suando muito e ainda completamente vestido. Olhando o relógio, confere a hora, ainda muito cedo para sair, levanta com lentidão e começa a se despir indo diretamente para o banheiro.
Enquanto toma banho reflete com cuidado tudo que está acontecendo. Voltar ao seu tempo original significará perder a mulher dos seus sonhos. Aquela que invadiu sua alma lhe oferecendo a primeira experiência real de amor. Sabia que nem tudo podia ser tão fácil como pensava, a sua decisão seria definitiva.

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