Capítulo 20
Logo cedo, os dois já estavam prontos. Saíram apressados do hotel para irem até a casa de Joaquim. Agamenon queria pegar um táxi, mas Heloisa o convenceu a irem de ônibus.
- É mais barato e não estamos com pressa!
- Não sei andar de ônibus!
- Vá se acostumando!
Chegaram na casa do advogado pouco depois das oito horas e foram recebidos na porta por ele que ainda de pijama, bebia café com leite numa caneca.
- Entrem! Estou esperando um amigo que gostaria muito de conversar com você, Agamenon. Ele é professor de física nuclear e um velho companheiro de invenções malucas. Não deve demorar!
Heloisa olhou em volta e perguntou com ar de intimidade.
- Tia Clara?
- Ainda dormindo! Ela só acorda depois das nove.
O casal sentou-se enquanto Joaquim foi para a cozinha. A sirena tocou e lá de dentro Joaquim gritou para Heloisa.
- Querida! Abra a porta, por favor.
Assim que ela atendeu ao pedido do tio, deu de cara com um homem muito magro, barba grande e cabelos muito alvos e grandes amarrados na nunca em rabo de cavalo. Ele parecia muito tímido e ficou parado com o olhar assustado. Finalmente depois de engolir seco umas duas vezes suspirou e falou com uma voz rouca.
- Joaquim?
- Está na cozinha! Pode entrar. Sou Heloisa, sobrinha. – Ela estendeu a mão.
- Sou Vicente!
- Sente-se! Titio não vai demorar. Esse aqui...- ela apontou para Agamenon – é Doutor Agamenon.
- Muito prazer! – Joaquim me disse que o encontraria aqui. – Os olhos do homem pareciam percorrer todo o corço do médico com profundo interesse.
- Não sabia o motivo dessa reunião!
- Fiquei muito interessado na sua história. Tenho algumas teorias...
- Vejo que já se apresentaram! – Disse Joaquim saindo da cozinha. – Vou trocar de roupa e não demoro.
Todos ficaram sentados em silencio, Agamenon e Heloisa admirando a paisagem numa das janelas e Vicente que pegara uma revista, acendia um cigarro no outro como quem está ansioso. Não demorou muito até a volta de Joaquim que trazia uma pasta nas mãos. Depois que sentou abriu a pasta e retirou alguns papeis, pareciam copias de reportagens antigas. Heloisa puxou Agamenon pela mão para junto do tio, sentaram atentos cheios de curiosidade.
- Depois que conversamos ontem, fui até a biblioteca e consultei os jornais da época de seu desaparecimento e encontrei coisas interessantes. – Ele entregou uma folha de papel para Agamenon que leu com atenção.
“Médico desaparece misteriosamente na estrada próximo da cidade onde morava. Seu carro foi encontrado com o capô e as portas abertas. Ele estava voltando da capital e ao que parece com pertences valiosos. A policia não descarta a possibilidade de um assalto muito embora não houvesse sinais de violência e continua a investigação”.
A reportagem prossegue, Agamenon fica olhando para o recorte de jornal onde aparece a fotografia de seu carro no local onde tudo acontecera. O restante da noticia, fala da preocupação dos parentes e o depoimento da sua mulher que dizia não entender o que havia acontecido. Vendo que a surpresa estava estampada na face de Agamenon, Joaquim retoma a conversa.
- Quando falei para Vicente o que havia acontecido, ele me disse que já havia experimentado teoricamente uma onda temporal.
- Deixe explicar melhor! – Disse Vicente, timidamente – Trabalhei nos anos cinqüenta, logo depois de me formar, numa empresa que experimentava formas de energia para consumo industrial. Uma delas se baseava no principio de acumulação. – O Físico, começa a tossir muito enquanto acende mais um cigarro - Foi um fracasso, quando comecei eles já estavam desistindo, não conseguiam aproveitar a energia contida na natureza durante a expansão de raios. Eu me interessei pelo assunto por curiosidade, e um dos físicos que trabalhava com isso, me disse que os resultados foram medíocres. No entanto, ele havia notado que em uma determinada experimentação em 1951, haviam produzido uma grande onda de energia e que durante alguns segundo, lhe havia parecido que os acumuladores haviam desaparecido diante dos seus olhos, mas logo estavam de volta. O laboratório...- O homem abaixa a voz e olha para os lados como quem tem receio de ser escutado por pessoas fora da sala -, é próximo do local onde você estava e a data... a mesma.
- Então, eu posso ter sido atingido por essa... onda de energia?
- Exatamente! Se não saltasse do carro, teria retornado e nunca saberia o que lhe acontecera de verdade. O carro funcionou como um receptor de ondas, que poderia ser substituído por um ovo metálico, uma bola ou qualquer coisa com formato especifico para transformar as particularidades do fluxo magnético. No entanto, isso é apenas uma teoria.
- Parece lógico o raciocínio! – Agamenon falou pensativo - Mas existem algumas informações colhidas Por Frederico Alvim...
- Sei...- interrompeu Vicente.- Já li Grandes Anomalias! Todos os casos foram exatamente na época em que o laboratório pesquisava e havia uma outra empresa que estava no mesmo caminho em outro local. Essa experiência me empolgou de tal forma, que mesmo depois da empresa abandonar o assunto, mantive meu interesse. Construí um protótipo dos condensadores e fiz algumas alterações. Nunca experimentei! Acho que não gostaria que o assunto se tornasse publico, só aceitei voltar a ele, por insistência de Joaquim.
- Isso pode tentar explicar o que me aconteceu, mas em que vai me ajudar? – Perguntou Agamenon um pouco excitado.
- Antes de mais nada, queria lhe convidar para ir comigo até o local. Vou preparar meu equipamento e dentro de alguns dias podemos combinar. Quem sabe podemos reverter o processo. Meu equipamento é pequeno e tenho de encontrar um substituto para o carro. Tem que ser algo bem menor.
Heloisa olha assustada para Vicente, abre a boca para falar, mas se cala, segura a mão de Agamenon com força demonstrando insegurança. Ele olha para a moça antes de responder com a voz tremendo.
- Está certo!
Ao saírem da casa de Joaquim, os dois resolvem passear um pouco e vão caminhar no Zoológico que havia perto. No inicio da caminhada, permaneceram em silencio, pensativos e só depois que passaram da jaula das cobras Heloisa arrisca um comentário.
- Não estou gostando dessa história que o tal Vicente... está inventando!
- Também não estou seguro! Mas por outro lado, fico curioso, gostaria de saber pelo menos o que me aconteceu e a teoria dele me parece lógica.
- Mas você não vai querer voltar para...
- Não pense nisso, pelo menos agora. Ele não falou que pode me mandar de volta, disse que tem apenas um protótipo e geralmente... isso é pouco.
- Não quero lhe perder!
Agamenon olha para a moça que está com os olhos cheios de lagrimas, ele passa os dedos tentando enxugar. Ela o abraça e o beija com paixão. Quando eles voltam a caminhar, ela pergunta com ar de duvida.
- Você gostaria de voltar ao tempo em que vivia com sua mulher?
- Não...! Não gostaria de voltar para Dora. No entanto, vivo pensando na minha profissão, nas outras coisas que ficaram para traz.
- Acho que seria muito estranho retornar. Depois que se vive outras coisas, acredito que nunca mais seremos os mesmos.
- Concordo plenamente. Para onde quer que eu vá, levo você comigo.
- Nem sempre vai ser possível!
- Não vamos nos preocupar com isso, pelo menos, agora!
- Vamos almoçar.Conheço um lugar maravilhoso!
- Com você, tudo fica maravilhoso, até uma lanchonete.
- Me engana que gosto!
- Acho que estou apaixonado, só não afirmo, por uma razão simples. Nunca experimentei de fato essa sensação.
- Não torne as coisas mais complicadas para mim. Vamos viver sem promessas enquanto for maravilhoso e possível.
Maneando a cabeça, ele abraça a moça com carinho continuando a andar pelo zoológico olhando as jaulas e crianças correndo de um lado para o outro.
Logo cedo, os dois já estavam prontos. Saíram apressados do hotel para irem até a casa de Joaquim. Agamenon queria pegar um táxi, mas Heloisa o convenceu a irem de ônibus.
- É mais barato e não estamos com pressa!
- Não sei andar de ônibus!
- Vá se acostumando!
Chegaram na casa do advogado pouco depois das oito horas e foram recebidos na porta por ele que ainda de pijama, bebia café com leite numa caneca.
- Entrem! Estou esperando um amigo que gostaria muito de conversar com você, Agamenon. Ele é professor de física nuclear e um velho companheiro de invenções malucas. Não deve demorar!
Heloisa olhou em volta e perguntou com ar de intimidade.
- Tia Clara?
- Ainda dormindo! Ela só acorda depois das nove.
O casal sentou-se enquanto Joaquim foi para a cozinha. A sirena tocou e lá de dentro Joaquim gritou para Heloisa.
- Querida! Abra a porta, por favor.
Assim que ela atendeu ao pedido do tio, deu de cara com um homem muito magro, barba grande e cabelos muito alvos e grandes amarrados na nunca em rabo de cavalo. Ele parecia muito tímido e ficou parado com o olhar assustado. Finalmente depois de engolir seco umas duas vezes suspirou e falou com uma voz rouca.
- Joaquim?
- Está na cozinha! Pode entrar. Sou Heloisa, sobrinha. – Ela estendeu a mão.
- Sou Vicente!
- Sente-se! Titio não vai demorar. Esse aqui...- ela apontou para Agamenon – é Doutor Agamenon.
- Muito prazer! – Joaquim me disse que o encontraria aqui. – Os olhos do homem pareciam percorrer todo o corço do médico com profundo interesse.
- Não sabia o motivo dessa reunião!
- Fiquei muito interessado na sua história. Tenho algumas teorias...
- Vejo que já se apresentaram! – Disse Joaquim saindo da cozinha. – Vou trocar de roupa e não demoro.
Todos ficaram sentados em silencio, Agamenon e Heloisa admirando a paisagem numa das janelas e Vicente que pegara uma revista, acendia um cigarro no outro como quem está ansioso. Não demorou muito até a volta de Joaquim que trazia uma pasta nas mãos. Depois que sentou abriu a pasta e retirou alguns papeis, pareciam copias de reportagens antigas. Heloisa puxou Agamenon pela mão para junto do tio, sentaram atentos cheios de curiosidade.
- Depois que conversamos ontem, fui até a biblioteca e consultei os jornais da época de seu desaparecimento e encontrei coisas interessantes. – Ele entregou uma folha de papel para Agamenon que leu com atenção.
“Médico desaparece misteriosamente na estrada próximo da cidade onde morava. Seu carro foi encontrado com o capô e as portas abertas. Ele estava voltando da capital e ao que parece com pertences valiosos. A policia não descarta a possibilidade de um assalto muito embora não houvesse sinais de violência e continua a investigação”.
A reportagem prossegue, Agamenon fica olhando para o recorte de jornal onde aparece a fotografia de seu carro no local onde tudo acontecera. O restante da noticia, fala da preocupação dos parentes e o depoimento da sua mulher que dizia não entender o que havia acontecido. Vendo que a surpresa estava estampada na face de Agamenon, Joaquim retoma a conversa.
- Quando falei para Vicente o que havia acontecido, ele me disse que já havia experimentado teoricamente uma onda temporal.
- Deixe explicar melhor! – Disse Vicente, timidamente – Trabalhei nos anos cinqüenta, logo depois de me formar, numa empresa que experimentava formas de energia para consumo industrial. Uma delas se baseava no principio de acumulação. – O Físico, começa a tossir muito enquanto acende mais um cigarro - Foi um fracasso, quando comecei eles já estavam desistindo, não conseguiam aproveitar a energia contida na natureza durante a expansão de raios. Eu me interessei pelo assunto por curiosidade, e um dos físicos que trabalhava com isso, me disse que os resultados foram medíocres. No entanto, ele havia notado que em uma determinada experimentação em 1951, haviam produzido uma grande onda de energia e que durante alguns segundo, lhe havia parecido que os acumuladores haviam desaparecido diante dos seus olhos, mas logo estavam de volta. O laboratório...- O homem abaixa a voz e olha para os lados como quem tem receio de ser escutado por pessoas fora da sala -, é próximo do local onde você estava e a data... a mesma.
- Então, eu posso ter sido atingido por essa... onda de energia?
- Exatamente! Se não saltasse do carro, teria retornado e nunca saberia o que lhe acontecera de verdade. O carro funcionou como um receptor de ondas, que poderia ser substituído por um ovo metálico, uma bola ou qualquer coisa com formato especifico para transformar as particularidades do fluxo magnético. No entanto, isso é apenas uma teoria.
- Parece lógico o raciocínio! – Agamenon falou pensativo - Mas existem algumas informações colhidas Por Frederico Alvim...
- Sei...- interrompeu Vicente.- Já li Grandes Anomalias! Todos os casos foram exatamente na época em que o laboratório pesquisava e havia uma outra empresa que estava no mesmo caminho em outro local. Essa experiência me empolgou de tal forma, que mesmo depois da empresa abandonar o assunto, mantive meu interesse. Construí um protótipo dos condensadores e fiz algumas alterações. Nunca experimentei! Acho que não gostaria que o assunto se tornasse publico, só aceitei voltar a ele, por insistência de Joaquim.
- Isso pode tentar explicar o que me aconteceu, mas em que vai me ajudar? – Perguntou Agamenon um pouco excitado.
- Antes de mais nada, queria lhe convidar para ir comigo até o local. Vou preparar meu equipamento e dentro de alguns dias podemos combinar. Quem sabe podemos reverter o processo. Meu equipamento é pequeno e tenho de encontrar um substituto para o carro. Tem que ser algo bem menor.
Heloisa olha assustada para Vicente, abre a boca para falar, mas se cala, segura a mão de Agamenon com força demonstrando insegurança. Ele olha para a moça antes de responder com a voz tremendo.
- Está certo!
Ao saírem da casa de Joaquim, os dois resolvem passear um pouco e vão caminhar no Zoológico que havia perto. No inicio da caminhada, permaneceram em silencio, pensativos e só depois que passaram da jaula das cobras Heloisa arrisca um comentário.
- Não estou gostando dessa história que o tal Vicente... está inventando!
- Também não estou seguro! Mas por outro lado, fico curioso, gostaria de saber pelo menos o que me aconteceu e a teoria dele me parece lógica.
- Mas você não vai querer voltar para...
- Não pense nisso, pelo menos agora. Ele não falou que pode me mandar de volta, disse que tem apenas um protótipo e geralmente... isso é pouco.
- Não quero lhe perder!
Agamenon olha para a moça que está com os olhos cheios de lagrimas, ele passa os dedos tentando enxugar. Ela o abraça e o beija com paixão. Quando eles voltam a caminhar, ela pergunta com ar de duvida.
- Você gostaria de voltar ao tempo em que vivia com sua mulher?
- Não...! Não gostaria de voltar para Dora. No entanto, vivo pensando na minha profissão, nas outras coisas que ficaram para traz.
- Acho que seria muito estranho retornar. Depois que se vive outras coisas, acredito que nunca mais seremos os mesmos.
- Concordo plenamente. Para onde quer que eu vá, levo você comigo.
- Nem sempre vai ser possível!
- Não vamos nos preocupar com isso, pelo menos, agora!
- Vamos almoçar.Conheço um lugar maravilhoso!
- Com você, tudo fica maravilhoso, até uma lanchonete.
- Me engana que gosto!
- Acho que estou apaixonado, só não afirmo, por uma razão simples. Nunca experimentei de fato essa sensação.
- Não torne as coisas mais complicadas para mim. Vamos viver sem promessas enquanto for maravilhoso e possível.
Maneando a cabeça, ele abraça a moça com carinho continuando a andar pelo zoológico olhando as jaulas e crianças correndo de um lado para o outro.
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