quarta-feira, 2 de julho de 2008

Capítulo 02

Capítulo 02

Ao sair do posto de gasolina depois de abastecer o carro, Agamenon nem imaginava que estava seguindo no rumo do grande amor de sua vida. Sentia apenas que precisava tomar decisões, mudar, ser mais feliz embora não pensava ainda no que precisava ser feito.
Entrando novamente na estrada, lhe ocorreu do nada um pensamento estranho. Lembrou que havia lido recentemente um trabalho apresentado no congresso de medicina do ano anterior, por um conceituado médico psiquiatra. Ele baseava sua argumentação em alguns casos que acompanhou por muitos anos, insistindo sobre a possibilidade de existir uma outra ou varias dimensões a nossa volta.
A documentação apresentada possuía todos os requisitos de uma pesquisa séria, mas não foi nem aceita para discussão em plenária. A opinião geral era de que o autor dos estudos estava ficando tão louco quanto seus pacientes. Agamenon havia feito uma observação publica sobre o assunto, dizendo que aquela era a melhor obra de ficção cientifica que já encontrara nos últimos tempos.
Solitário numa estrada pouco movimentada, os pensamentos do médico passavam de um assunto para outro enquanto olhava a paisagem monótona. A imagem do estremecimento de Dora, durante o café da manhã lhe veio à mente. Sabia que ela era uma mulher muito dedicada e mesmo assim não conseguia ser na cama nem metade do que ele desejava.
Estava na hora de lembrar bobagens, deu um muxoxo e continuou deixando o pensamento livre. Andava desconfiado e um tanto tenso, com um comentário casual que um amigo lhe havia feito quando estivera na capital da última vez.
“Engraçado, na semana passada, quase falo com uma mulher que saia de um hotel, parecia sua esposa, mas não tive certeza, estava do outro lado da rua e o movimento dos carros me fez perde-la de vista”.
Realmente, sua mulher havia viajado para a capital no dia mencionado, como era habito nos últimos anos. Quase todo mês, alegando que era uma reunião de velhas amigas. Isso havia começado pouco antes dela ficar grávida de Luiz.
Ao escutar o comentário do amigo, por um momento de insegurança, ele chegou até a desconfiar que poderia ser algo impossível de imaginar, uma traição de Dora com o seu irmão mais velho um ano, Arquimedes. Ele já se perguntava também se ainda amava ou se algum dia realmente amou sua mulher e por isso talvez nem se importasse.
Esses pensamentos se justificava com a presença dele em sua casa com muita freqüência e a maneira com que se preocupava com sua mulher. Era como se os dois estivessem sempre com um segredo para contar, se assustavam por nada e demonstravam cumplicidade cochichando coisas quando pensavam que não estavam sendo observados.
Ele parecia tão feliz com a gravidez de Dora e depois que o menino nasceu, muitos o confundiam com o pai. Dando de ombros, Agamenon sabia que tudo não passava de invenção da sua mente muito fértil, estava mesmo inseguro e começando a perder o interesse por Dora. Dando uma tapinha no rosto como quem quer acordar e afastar um sonho ruim, ele se concentrou novamente na estrada, deixando outros pensamentos invadirem sua cabeça.

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